Pedir para o ChatGPT, o Gemini ou o Grok dizer “qual candidato é melhor” parece um atalho prático nesta eleição. O problema é que isso é exatamente o que o TSE proíbe os provedores de inteligência artificial de fazer, e testes recentes mostram que várias ferramentas populares estão descumprindo a regra, cada uma apontando um nome diferente para a mesma pergunta. Veja o que diz a norma e por que a divergência entre as respostas já é, sozinha, um motivo para desconfiar.
Resposta rápida
A Resolução TSE nº 23.755/2026, em vigor desde 2 de março, proíbe que sistemas de IA ranqueiem, recomendem ou sugiram candidatos, mesmo que o usuário peça. Testes de agosto de 2026 mostraram ChatGPT, Grok e o modo IA do Google descumprindo a regra, com resultados diferentes entre si para a mesma pergunta, prova de que nenhum dá uma resposta confiável.
O essencial
- Regra: IA não pode ranquear/recomendar candidato (Res. TSE nº 23.755/2026)
- Vale mesmo se você pedir: a vedação é da ferramenta, não do usuário
- Testes de agosto: ChatGPT, Grok e Google IA divergiram entre si
- Janela de silêncio: 72h antes de cada turno + 24h depois, sem conteúdo novo de IA com voz/imagem de candidato
O que diz a regra do TSE sobre IA e candidatos
O Tribunal Superior Eleitoral aprovou, em sessão de 2 de março de 2026, um pacote de 14 resoluções para as Eleições 2026. Entre elas, a Resolução nº 23.755/2026 trata do uso de inteligência artificial no pleito e é explícita: fica vedado aos provedores de ferramentas de IA “ranquear, recomendar, sugerir ou priorizar candidatas(os), campanhas, partidos políticos” ou “emitir opiniões, indicar preferência eleitoral, recomendar voto ou realizar qualquer forma de favorecimento ou desfavorecimento político-eleitoral”, mesmo que a orientação parta do próprio usuário. A regra completa está publicada no comunicado oficial do TSE sobre as regras de IA nas Eleições 2026.
| O que a resolução do TSE proíbe | Como se aplica |
|---|---|
| Ranquear ou recomendar candidato | Vale mesmo se o próprio usuário pedir o ranking |
| Opinião ou preferência eleitoral | IA não pode indicar favorecimento a candidato, partido ou coligação |
| Conteúdo novo com voz/imagem de candidato via IA | Proibido nas 72h antes de cada turno e 24h depois |
| Peça de campanha feita com IA fora dessa janela | Permitida, mas precisa avisar de forma clara que usou IA |
A Justiça Eleitoral também formalizou, em 16 de julho de 2026, termos de adesão ao seu Programa Permanente de Combate à Desinformação com grandes provedores de IA, incluindo OpenAI, Anthropic e ElevenLabs, o compromisso de colaborar no combate a conteúdo enganoso durante o processo eleitoral. Os detalhes estão no comunicado oficial do TSE sobre as parcerias com plataformas digitais. Isso não significa uma licença especial para essas empresas: a proibição de ranquear candidato vale para todas.
O que os testes mostraram na prática
Apesar da regra em vigor desde março, o portal JOTA testou ChatGPT, Grok e o modo de busca com IA do Google em 18 e 19 de agosto de 2026 e encontrou as três ferramentas produzindo rankings de pré-candidatos à Presidência, contrariando a resolução. Um teste anterior, feito pela agência de checagem Aos Fatos em março, já tinha flagrado o mesmo problema em cinco ferramentas (incluindo Gemini e Claude), pedindo critérios como “menos corrupto” e “melhor para a economia”, todas responderam, quando deveriam recusar.
| Ferramenta | O que apontou no teste de agosto/2026 (JOTA) |
|---|---|
| ChatGPT | Colocou um nome em 1º lugar na análise geral de propostas, seguido por outros quatro candidatos |
| Grok | Deu notas de 0 a 10 aos candidatos, com o 1º colocado do ChatGPT também na frente |
| Modo IA do Google | Trouxe uma ordem diferente das outras duas, com outro nome em 1º lugar |
Note que as três ferramentas não concordam entre si, cada uma “elegeu” um favorito diferente para o mesmo pedido. É esse o motivo prático, além do jurídico, para não tratar a resposta de uma IA como um veredito confiável sobre política.
Por que não dá pra confiar no ranking de uma IA
Além de contrariar a regra do TSE, há um motivo prático: um chatbot de IA generativa monta a resposta prevendo qual seria a continuação de texto mais provável a partir de tudo o que ele leu no treinamento, não avaliando propostas de governo com um critério auditável. Sem um método claro e público, dois modelos (ou até o mesmo modelo, em dias diferentes) podem chegar a ordens de candidatos diferentes para a mesma pergunta, como os testes de agosto confirmaram. Tratar isso como um “resultado” é dar peso de autoridade a algo que não tem base auditável nenhuma.
Onde se informar oficialmente sobre a eleição
Para dados factuais (data da eleição, seu local de votação, se um aplicativo é o oficial do TSE, como emitir seu título digital), a IA generativa não é a fonte, mas os canais oficiais da Justiça Eleitoral são. Reunimos os aplicativos verificados no nosso guia de aplicativos oficiais das Eleições 2026, e o passo a passo para tirar o e-Título está neste guia do e-Título digital. Antes de instalar qualquer app de eleição, vale conferir também como identificar um aplicativo falso de eleição.
O que isso significa pra você
Se você já perguntou a um chatbot “quem é o melhor candidato” e recebeu uma resposta com nomes e ordem, essa resposta não tem nenhum valor oficial nem técnico. Ela reflete um cálculo estatístico de linguagem, sujeito a mudar dependendo de como a pergunta é feita, e o próprio TSE já identificou isso como uma violação da regra eleitoral. Use a IA para tarefas em que ela realmente ajuda, como resumir a proposta de governo de um candidato específico ou explicar um termo técnico do processo eleitoral, e reserve a decisão do voto para as fontes que a lei exige que sejam neutras.
Regra de ouro
Se um chatbot te disser “quem é o melhor candidato”, desconfie: ele está descumprindo a própria regra do TSE, e outro chatbot, com a mesma pergunta, provavelmente vai te dar uma resposta diferente.
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Perguntas frequentes
Fazer o ChatGPT ranquear candidatos é crime?
Não é crime da pessoa que pergunta. A vedação da Resolução TSE nº 23.755/2026 recai sobre os provedores de IA, que não podem ranquear, recomendar, sugerir ou priorizar candidatos, partidos ou coligações, mesmo quando a pergunta parte do usuário. Ou seja: a responsabilidade de recusar a resposta é da empresa que faz o chatbot, não de quem pergunta.
Por que ChatGPT, Grok e Gemini responderam diferente para a mesma pergunta?
Porque cada modelo foi treinado com dados e critérios diferentes, e nenhum tem acesso a um critério oficial e único de “melhor candidato”, isso não existe. Nos testes de agosto de 2026, ChatGPT colocou um nome em primeiro, o Grok deu notas que apontavam outro, e o modo de IA do Google trouxe um terceiro. A divergência entre ferramentas é, na prática, a prova de que nenhuma delas tem uma resposta confiável para dar.
A OpenAI e o Google vão ser punidos pelo TSE?
Até a publicação deste texto, o TSE não havia anunciado punição individual às empresas pelos casos identificados nos testes. A Justiça Eleitoral tem instrumentos para notificar e exigir ajustes de provedores de IA ao longo do processo eleitoral, mas o histórico de fiscalização de cada caso concreto é apurado pelo próprio tribunal, não pela imprensa.
A IA pode ajudar em outras dúvidas sobre a eleição, como data e documentos?
Sim, esse tipo de pergunta (como tirar o título de eleitor, prazo para votar, quais aplicativos são oficiais) não é opinião política, é informação factual, e as IAs costumam responder bem. O risco específico é pedir uma recomendação de voto ou uma comparação de “quem é melhor”, que é justamente o que a regra do TSE proíbe.
Existe uma "lista proibida" de perguntas para IA sobre eleição?
Não existe uma lista fechada, mas o critério da resolução é claro: está vedado qualquer ranking, recomendação, sugestão de voto ou opinião de preferência eleitoral, mesmo que a pergunta pareça neutra (como “quem é mais preparado” ou “quem é menos corrupto”). Perguntas sobre propostas, biografia ou histórico, sem pedir um veredito de quem é melhor, tendem a ser tratadas de outra forma.
O que é a janela de silêncio de IA nas eleições?
É o período de 72 horas antes de cada turno de votação e 24 horas depois do encerramento, em que fica proibido publicar, republicar ou impulsionar qualquer conteúdo novo gerado ou alterado por IA que use voz ou imagem de candidatos ou figuras públicas. A regra vale além do ranking: é uma restrição total nesse intervalo.
Preciso avisar se usei IA para fazer propaganda de um candidato?
Essa regra é para quem faz campanha, não para o eleitor comum. Fora da janela de silêncio, o responsável por uma peça de propaganda que usa IA precisa informar, de forma clara, que o conteúdo foi gerado ou alterado por inteligência artificial.
Onde confirmo informação oficial sobre um candidato, sem depender de IA?
O canal oficial é o site e os aplicativos do TSE. Para consultar local de votação, situação do título e demais dados oficiais, use os aplicativos verificados que reunimos no nosso guia de aplicativos oficiais das Eleições 2026, e não a opinião de um chatbot.




