O e-Título é a via digital do título de eleitor e, para quem já fez a biometria, substitui o documento de identificação na hora de votar. Ele é gratuito, publicado pela Justiça Eleitoral, e reúne num app só o que antes exigia ir ao cartório: segunda via do título, certidão de quitação, consulta de débito, local de votação e justificativa. O ponto que trava a maioria das pessoas não é o app, é o cadastro, que exige dados idênticos aos da Justiça Eleitoral.
Três requisitos que derrubam a instalação
Antes de digitar qualquer dado, vale conferir três coisas. A primeira é a situação do título: o acesso ao app está disponível apenas para quem tem inscrição regular ou suspensa. Título cancelado não abre o e-Título, e regularizar isso é serviço de cartório ou de Autoatendimento, não do aplicativo.
O segundo é a versão do sistema. O FAQ oficial informa Android 6.0 e iOS 13 em diante, mas a ficha atual da App Store, conferida em 21/08/2026, exige iOS 15.0 ou superior. Ou seja, o requisito publicado na página do TSE está desatualizado em relação ao que a loja de fato entrega, e é a loja que manda na hora de baixar. Em iPhone antigo, é aí que a instalação falha.
O terceiro é o espaço: a versão de iPhone ocupa 173 MB. Não é um app leve.
Ficha do e-Título nas lojas
- Quem publica: Justiça Eleitoral Brasileira (Play) e Tribunal Superior Eleitoral (App Store)
- Nota: 4,5 no Android, em 1.353.175 avaliações; 4,7 no iPhone, em 802.362
- Downloads no Android: 50 mi+
- Última atualização: 6 de ago. de 2026 (Play) e 2026-08-11 (App Store)
- Preço: gratuito, sem compras no app e sem anúncios
Como tirar o e-Título: o cadastro que trava na metade
O fluxo descrito no FAQ oficial do aplicativo tem quatro etapas, e a terceira é a que costuma reprovar:
- Baixe o app na Google Play ou na App Store e abra.
- Preencha nome, data de nascimento, número do título ou CPF e a filiação. Esses dados precisam estar exatamente iguais aos do cadastro eleitoral: um nome de mãe abreviado ou um acento diferente é suficiente para o sistema não validar.
- Responda o carrossel de perguntas de segurança que o app apresenta em seguida.
- Crie uma senha de 8 a 70 caracteres alfanuméricos. Pronto, o documento fica disponível no aparelho.
Emitir, consultar e guardar o documento
Depois de validado, o documento fica emitido no aparelho e não precisa ser gerado de novo a cada consulta: abrir o app já mostra nome, inscrição, zona, seção, situação cadastral e o QR Code de validação. Para consultar a situação do título ou emitir certidão, o caminho é o menu de serviços do próprio app. E, se você precisar do documento fora do celular, existe a geração em PDF para impressão, tratada mais adiante.
Se der erro de validação, o problema quase sempre está no cadastro eleitoral, não no app. Erros de grafia precisam ser corrigidos pelo cartório eleitoral do seu município, e é por isso que instalar em cima da data da eleição é má ideia.
A foto é o que decide se ele vale como documento
A regra é objetiva: a via digital do título com fotografia pode ser usada como documento de identificação para votar. E a foto só aparece para quem teve a biometria coletada pela Justiça Eleitoral. Quem ainda não fez o recadastramento biométrico consegue usar o app normalmente, mas precisa apresentar um documento oficial com foto na seção eleitoral.
Fez a biometria e mesmo assim a foto não aparece? O procedimento que o próprio TSE recomenda é desinstalar e reinstalar o aplicativo. Persistindo, é caso de cartório. Vale testar isso antes de 4 de outubro de 2026, e não na fila da seção.
O e-Título é individual e não aceita dois documentos no mesmo aparelho. Se o seu celular é o que a família usa para tudo, cada pessoa vai precisar do próprio aparelho para exibir o documento na hora de votar, ou levar identidade com foto.
O que dá para resolver dentro do app
Além de mostrar o documento, o e-Título concentra os serviços listados na página oficial do aplicativo: apresentação de justificativa no dia da eleição e depois dela, histórico de justificativas, consulta ao local de votação com endereço, emissão das certidões de quitação eleitoral e de crimes eleitorais, geração do título em PDF para impressão, cadastro como mesário voluntário, declaração de trabalhos eleitorais, consulta a débitos e pagamento por Pix ou boleto.
A reformulação anunciada pelo TSE em julho de 2026 acrescentou outras funções, segundo o comunicado oficial da nova versão: acompanhamento em tempo real de requerimentos feitos no Título Net, certidão de filiação partidária emitida no próprio app (disponível apenas para quem validou o e-Título por conferência biométrica), geração de código de autenticação temporário para sistemas conveniados, com vídeo-selfie obrigatória antes de liberar, leitura de QR Code para validar a autenticidade de certidões da Justiça Eleitoral, descadastramento de mesário voluntário e pagamento de multa por Pix ou cartão via PagTesouro. O módulo Boletim na Mão, que era um app separado, passou a funcionar dentro do e-Título.
O que o app coleta de você
Vale ler o painel Segurança dos dados da Google Play antes de instalar qualquer coisa, inclusive app de órgão público. No caso do e-Título, o desenvolvedor declara que o aplicativo compartilha com terceiros: Local, Atividade no app e Informações e desempenho do app. E que coleta: Local, Informações pessoais e mais 6.
Os dados são declarados como criptografados em trânsito, e o app informa que não oferece a opção de solicitar a exclusão dos dados, o que é coerente com a natureza do serviço: cadastro eleitoral não é conta de rede social que se apaga. A coleta de localização também tem explicação funcional, é ela que sustenta a justificativa por geolocalização no dia da votação. Saber disso ajuda a decidir uma coisa simples: manter a permissão de localização em enquanto usa o app, em vez de permitir o tempo todo.
Comparação útil, porque o dado é público: entre os aplicativos da Justiça Eleitoral, o e-Título é o que mais coleta, e é também o único que precisa disso para funcionar. Um app de terceiros que promete os mesmos serviços e pede as mesmas permissões não tem a mesma justificativa.
Fontes oficiais
Aplicativo e-Título (TSE) · FAQ oficial do e-Título · Novo e-Título (TSE, julho de 2026). As notas, os downloads e as datas de atualização vêm das páginas dos próprios aplicativos na Google Play e na App Store, conferidas em 21/08/2026.
Perguntas frequentes
O título de eleitor digital serve como documento?
Serve como documento de identificação para votar, desde que a via digital apresente a sua fotografia, o que depende de ter feito o cadastro biométrico. Sem a foto no app, é preciso apresentar um documento oficial com foto na seção eleitoral. Para outras finalidades civis, o aceite depende de cada órgão.
O título de eleitor digital tem foto?
Só para quem teve a biometria coletada pela Justiça Eleitoral e passou pelo processo de identificação. Se você fez a biometria e a foto sumiu do app, o próprio TSE orienta desinstalar e reinstalar o aplicativo; se continuar sem aparecer, é preciso procurar o cartório eleitoral.
Dá para usar o e-Título sem biometria?
Dá para instalar e usar os serviços (justificativa, certidões, local de votação, débitos), mas o documento sai sem foto. Nesse caso, ele não vale sozinho como identificação na hora de votar: leve identidade, CNH, passaporte ou outro documento oficial com foto.
Como baixar o título de eleitor digital em PDF?
Dentro do próprio e-Título existe a função de gerar o título eleitoral em formato PDF para impressão. É o caminho oficial para quem precisa do documento em papel ou para anexar em algum processo, e não exige ir ao cartório.
Como imprimir o título de eleitor digital?
Gere o PDF pelo aplicativo e imprima o arquivo. Vale lembrar que a versão impressa não substitui a apresentação do documento com foto na hora de votar: quem não tem biometria continua precisando de um documento oficial com fotografia.
O título de eleitor digital serve para tirar passaporte?
Ele não é o documento que se apresenta para emitir passaporte, mas a situação eleitoral pesa: quem está com o título irregular, sem votar, justificar nem pagar a multa, fica impedido de obter passaporte. O e-Título ajuda justamente aí, porque é por ele que se consulta o débito, se emite a certidão de quitação eleitoral e se paga o que estiver pendente.
Dá para acessar o título de eleitor digital pelo gov.br?
O e-Título tem cadastro próprio, descrito pelo TSE: nome, data de nascimento, número do título ou CPF, filiação, perguntas de segurança e uma senha criada por você. Não é a mesma senha da conta gov.br, e não é preciso ter conta no gov.br para usar o aplicativo.
O título de eleitor digital é válido como documento de identificação?
Para votar, sim, desde que exiba a fotografia do eleitor. Fora da urna, o aceite depende do órgão ou da empresa que pede o documento, como acontece com qualquer versão digital de documento oficial. Na dúvida, leve também um documento físico com foto.
O título de eleitor digital é obrigatório?
Não. Ele é uma alternativa ao título de papel, não uma exigência. Quem prefere o documento físico continua votando normalmente, apresentando identificação com foto. O e-Título é útil justamente para quem perdeu o título ou não quer depender do papel.
Posso ter dois títulos no mesmo celular?
Não. O e-Título é de uso individual e o próprio TSE informa que não é possível utilizar dois ou mais documentos no mesmo aparelho, porque ele serve para identificar o eleitor na seção. Cada pessoa precisa do app no seu próprio celular.
Meu título está cancelado. Consigo acessar o app?
Não. O acesso está liberado apenas para inscrições regulares ou suspensas. Com o título cancelado, é preciso regularizar antes, com pedido de revisão ou transferência pelo Autoatendimento Eleitoral ou no cartório, e só depois o app abre.



