A decisão que destravou o Starlink no celular no Brasil tem data e tem relógio. Em 2 de julho de 2026, o Conselho Diretor da Anatel destinou faixas de frequência à tecnologia Direct-to-Device, e no mesmo ato abriu um prazo de 90 dias para a área técnica apresentar as regras de uso. Esse prazo se encerra por volta do fim de setembro de 2026, e é ele que define o próximo passo real da história.
A Anatel destinou espectro, não liberou serviço. A Superintendência de Outorgas tem até 90 dias a partir de 2 de julho de 2026 para levar a proposta técnica ao Conselho Diretor, prazo que termina por volta do fim de setembro de 2026. Depois disso ainda faltam deliberação, testes, homologação e o acordo com uma operadora. Não há data nem preço anunciados.
A linha do tempo
- 02/07/2026: Conselho Diretor destina as faixas
- Até ~30/09/2026: proposta técnica da Superintendência
- Depois: deliberação do Conselho Diretor
- Depois: testes e homologação
- Por fim: acordo comercial com operadora
A Anatel aprovou o Starlink no celular?
Na reunião do Conselho Diretor da Anatel de 2 de julho de 2026, a agência aprovou a atualização do Plano de Atribuição, Destinação e Distribuição de Faixas de Frequências, com relatoria do conselheiro substituto Nilo Pasquali. Entre as mudanças, entrou a destinação de faixas ao serviço móvel por satélite em caráter secundário.
O que a autorização da Anatel significa (e o que não)
Caráter secundário é a expressão que faz toda a diferença e que sumiu das manchetes. Significa que o serviço via satélite pode usar aquele espectro, mas sem prejudicar quem já o utiliza em caráter primário, que são as operadoras móveis. Não é uma faixa nova entregue à SpaceX, é uma carona regulada em faixa alheia.
Vale separar três coisas que costumam ser tratadas como sinônimo. Destinação de faixa é dizer para que serviço aquele espectro pode ser usado, e foi isso que aconteceu. Autorização de operação é a licença para uma empresa específica prestar o serviço. Oferta comercial é o plano com preço que chega ao consumidor. Só a primeira foi concluída.
O prazo de 90 dias, e por que ele importa
A decisão não parou na destinação. Ela determinou que a Superintendência de Outorgas e Recursos à Prestação tem até 90 dias para enviar ao colegiado a proposta com as características técnicas de uso dessas subfaixas pelo Direct-to-Device. Contado da data da decisão, esse prazo vence por volta do fim de setembro de 2026.
Há ainda um ponto pouco comentado e bastante revelador: quem vai deliberar sobre esses requisitos é o próprio Conselho Diretor, e não a área técnica da agência, como é praxe. O presidente da Anatel, Carlos Baigorri, pediu agilidade à equipe para conseguir participar pessoalmente da decisão antes do fim do seu mandato. Ou seja: o tema foi tratado como decisão política de setor, não como ajuste técnico de rotina.
Por que a Starlink não pode vender direto
Como as faixas destinadas já são das operadoras móveis, o uso por uma empresa de satélite só pode ocorrer em parceria com quem detém o direito sobre a faixa. É o mesmo modelo adotado nos países que já têm o serviço. Na prática, isso responde a duas dúvidas comuns de uma vez: você não vai contratar a Starlink direto para o celular, e não vai precisar de um chip novo, porque a conexão tende a entrar pelo plano da sua operadora.
| Etapa | Situação em agosto de 2026 |
|---|---|
| Destinação de espectro | Concluída em 02/07/2026 |
| Regras técnicas de uso | Em elaboração, prazo até ~30/09/2026 |
| Deliberação do Conselho | Não realizada |
| Acordo com operadora | Em negociação |
| Oferta comercial | Sem data e sem preço |
A Anatel vai exigir um chip novo?
Não há nada na decisão que aponte para isso, e a lógica da regra sugere o contrário. Como o espectro é o mesmo da telefonia móvel e o uso depende de parceria com a operadora que o detém, a conexão via satélite tende a chegar como cobertura adicional do seu plano atual, pelo chip que você já usa. Não é um serviço que você contrata direto com a Starlink.
O Starlink no celular vai ser grátis?
Não há preço divulgado, nem promessa de gratuidade, por parte da Starlink ou de qualquer operadora. Em outros mercados, esse tipo de conexão costuma aparecer embutida nos planos mais caros ou como adicional mensal. Qualquer valor que você vir circulando hoje, inclusive “grátis”, é especulação.
Do lado comercial, a Vivo aparece na frente: a operadora negocia um acordo com a SpaceX para oferecer o Direct-to-Device no Brasil, segundo apurações do setor em julho de 2026. Nenhum contrato foi divulgado publicamente até agora, e há relatos de que os termos estão sob sigilo. A Starlink também não está sozinha: outras empresas pediram autorização para operar constelações voltadas a esse mercado no país.
O que ainda falta para virar serviço
Resumindo o caminho que separa a decisão de julho de um celular efetivamente conectado ao satélite:
- A Superintendência entrega a proposta técnica ao Conselho Diretor, dentro do prazo de 90 dias.
- O Conselho delibera sobre os requisitos de uso das faixas.
- Vêm os testes e a homologação dos equipamentos e do serviço.
- Uma operadora fecha e anuncia o acordo comercial, com plano e preço.
Só no fim dessa fila aparece a lista de aparelhos atendidos. Enquanto isso, dá para adiantar a checagem do seu: veja como saber se o seu celular é compatível com o Starlink. E, para entender a tecnologia por trás de tudo, o guia do Starlink no celular explica como o D2D funciona. Se a sua necessidade é conexão em área sem cobertura agora, a opção que existe hoje é a antena: veja quanto custa a internet da Starlink no Brasil.
Fonte oficial
As decisões citadas são do Conselho Diretor da Anatel, tomadas na reunião de 2 de julho de 2026.
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Perguntas frequentes
A Anatel aprova o Starlink no celular?
A agência aprovou a destinação de faixas de frequência ao serviço móvel por satélite, em 2 de julho de 2026, em caráter secundário. Isso cria a base regulatória para a tecnologia Direct-to-Device, mas não é a autorização para a Starlink operar comercialmente nem a liberação do serviço ao consumidor.
Qual é a autorização que a Starlink ainda precisa?
Depois da destinação do espectro, é preciso que o Conselho Diretor defina os requisitos técnicos de uso das faixas, que venham os testes e a homologação, e que uma operadora brasileira feche o acordo comercial. Só então existe oferta.
A Anatel bloqueia o Starlink no Brasil?
Não. A decisão de julho de 2026 foi no sentido oposto: abriu caminho para o Direct-to-Device. O que existe é uma condição, não um bloqueio, já que o uso das faixas exige parceria com a operadora que as detém.
Qual é o prazo de 90 dias da Anatel?
A Superintendência de Outorgas e Recursos à Prestação tem até 90 dias, contados da decisão de 2 de julho de 2026, para enviar ao Conselho Diretor a proposta com as características técnicas de uso dessas faixas. O prazo se encerra por volta do fim de setembro de 2026.
Quem vai definir as regras técnicas?
O próprio Conselho Diretor da Anatel, e não a área técnica, como acontece na maioria dos casos. A mudança foi adotada por causa do peso do tema para o setor de telecomunicações.
O serviço já está autorizado?
Não. Foi destinado o espectro, o que é diferente de autorizar a operação comercial. Depois das regras técnicas ainda são necessários testes, homologações e um acordo entre a empresa de satélite e uma operadora brasileira.
Por que a Starlink precisa de uma operadora?
Porque as faixas destinadas ao Direct-to-Device já pertencem às operadoras móveis. O uso pelo serviço via satélite é secundário e condicionado a parceria com a empresa que detém o direito sobre a faixa.
Qual operadora deve oferecer primeiro?
A Vivo negocia um acordo com a SpaceX, segundo apurações de julho de 2026. Nenhum contrato foi anunciado publicamente, e outras empresas também disputam o mercado de conexão direta entre satélite e celular.
O que muda para quem está sem sinal hoje?
No curto prazo, nada. Mesmo quando o serviço estrear, a expectativa é de cobertura complementar restrita a mensagens, localização e alertas de emergência, acionada onde não há rede terrestre.
Existe risco de o prazo não ser cumprido?
O prazo é para o envio da proposta técnica ao Conselho Diretor, não para o lançamento do serviço. Mesmo cumprido, a deliberação, os testes e o acordo comercial acontecem depois, sem data definida.




