Um relatório internacional divulgado em São Paulo trouxe um retrato duro dos golpes digitais no Brasil: quatro em cada cinco brasileiros adultos foram alvo de alguma tentativa de fraude no último ano. A pesquisa é da GASA (Global Anti-Scam Alliance), organização que estuda o tema em mais de 40 países, e foi apresentada no Brazil Anti-Scam Forum, em 6 de agosto de 2026. Veja os números confirmados, o que ainda depende de hedge por não estar no resumo público, e como usar esse retrato pra se proteger melhor.
Resposta rápida
O relatório “O Estado dos Golpes no Brasil 2026”, da GASA, mostra que 81% dos participantes foram alvo de tentativa de golpe em 12 meses, 39% interagiram com o golpista e 10% tiveram perda financeira ou vazamento de dado. Segundo o relatório, cerca de 16,5 milhões de brasileiros perderam dinheiro, somando R$ 21,2 bilhões em prejuízo. Apenas 4% chegaram a denunciar o golpe.
O essencial
- Quem publicou: GASA (Global Anti-Scam Alliance), capítulo Brasil
- Quando: divulgado em 6/8/2026, no Brazil Anti-Scam Forum (São Paulo)
- Exposição: 81% dos participantes alvo de tentativa de golpe em 12 meses
- Impacto: 76% relataram efeito no bem-estar mental
- Denúncia: só 4% chegaram a denunciar o golpe
O panorama confirmado pela GASA
A página oficial do relatório, publicada em gasa.org, traz os números que a própria entidade disponibiliza publicamente, com base em 1.170 participantes ouvidos no Brasil: 81% foram alvo de pelo menos uma tentativa de golpe nos últimos 12 meses, e 39% chegaram a interagir de fato com o golpista (o equivalente a 56% de quem foi exposto). Desses, 10% sofreram perda financeira ou tiveram algum dado comprometido, e apenas 4% registraram o caso junto às autoridades. Um dado que chama atenção: 34% das vítimas foram alvo de mais de um golpe no mesmo período, o que indica reincidência, não um evento isolado.
Outro ponto do resumo público é a confiança do brasileiro em reconhecer um golpe: apenas 42% dos participantes disseram se sentir confiantes nisso, um número baixo diante da exposição de 81%. E o impacto vai além do prejuízo financeiro: 76% das vítimas relataram algum efeito, significativo ou moderado, no próprio bem-estar mental.
Quanto o brasileiro perde, segundo o relatório
Os números de valor total não aparecem no resumo público da GASA, que reserva o relatório completo a organizações associadas. Mas foram divulgados no evento de lançamento e repetidos, com os mesmos valores, por Renata Salvini, diretora do capítulo brasileiro da entidade: segundo o relatório, o país registrou cerca de 34 bilhões de tentativas de golpe entre março de 2025 e fevereiro de 2026, uma média de 201,6 tentativas por adulto no período. Ainda segundo a apuração, 16,5 milhões de brasileiros perderam dinheiro de fato, somando um prejuízo de R$ 21,2 bilhões, o que dá uma perda média de R$ 1.287 por vítima.
| Indicador | Número |
|---|---|
| Adultos alvo de tentativa de golpe (12 meses) | 81% |
| Interagiram com o golpista | 39% |
| Tiveram perda financeira ou vazamento de dado | 10% |
| Denunciaram o golpe | 4% |
| Foram alvo mais de uma vez | 34% |
| Relataram impacto no bem-estar mental | 76% |
Os golpes mais comuns, segundo o relatório
Ainda segundo a divulgação da GASA no lançamento, os tipos de fraude que mais atingiram os brasileiros pesquisados foram golpes ligados a compras on-line, promessas de dinheiro inesperado (como prêmios, heranças ou restituições falsas) e ofertas falsas de emprego, cada um puxando uma fatia relevante dos casos relatados. É um padrão que conversa com o que a própria redação já apurou em golpes específicos, como o golpe do Pix e as fraudes por antena falsa, que também exploram urgência e uma oferta boa demais pra ser verdade.
Por que não comparamos direto com a edição de 2025
A edição de 2025 do mesmo relatório citava 252 tentativas de golpe por ano por brasileiro; a de 2026 fala em 201,6. Pode parecer queda, mas a própria GASA atualizou a metodologia de validação e de cálculo de perdas entre uma edição e outra, o que significa que os dois números não vêm exatamente do mesmo método de contagem. Preferimos apontar essa divergência com transparência a apresentar uma “queda” que talvez seja só efeito da mudança de metodologia.
Como se proteger diante desse cenário
- Trate contato não solicitado como suspeito por padrão, principalmente se pedir dado bancário, clique urgente ou pagamento via Pix.
- Confirme sempre pelo canal oficial (app do banco, site oficial da empresa), nunca pelo número ou link que chegou na própria mensagem suspeita.
- Ative a verificação em duas etapas nas contas mais importantes: banco, e-mail principal e redes sociais.
- Denuncie, mesmo que o valor pareça pequeno: é a única forma de a estatística de 4% de denúncia começar a mudar, e pode ajudar a rastrear uma quadrilha maior.
- Converse com familiares mais vulneráveis sobre os golpes mais comuns do momento, já que boa parte das vítimas reincidentes relata cair no mesmo tipo de fraude mais de uma vez.
O que isso significa pra você
O dado mais útil desse relatório não é o valor total perdido, é a reincidência: 34% das vítimas foram atingidas mais de uma vez. Isso sugere que quem já caiu num golpe continua exposto ao mesmo tipo de abordagem, e que corrigir apenas o problema pontual (trocar senha, cancelar cartão) sem mudar o hábito de checagem tende a não ser suficiente. O relatório completo do que aconteceu com você é menos importante do que o hábito que evita a próxima tentativa.
Fonte oficial
O resumo público do relatório “O Estado dos Golpes no Brasil 2026” está disponível no site oficial da GASA. O documento completo, com a metodologia detalhada, é restrito a organizações associadas à entidade.
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Os números citados aqui vêm do levantamento da própria entidade, com metodologia e recorte declarados. A página oficial do relatório da GASA permite conferir cada percentual na origem.
Perguntas frequentes
O que é a GASA?
GASA é a sigla de Global Anti-Scam Alliance (Aliança Global Antigolpe), uma organização internacional sem fins lucrativos que reúne pesquisa sobre fraudes digitais em mais de 40 países, incluindo um capítulo dedicado ao Brasil. O relatório “O Estado dos Golpes no Brasil” é a pesquisa anual da entidade sobre o tema no país.
Quantos brasileiros foram atingidos por golpes em 2026, segundo o relatório?
A página oficial do relatório confirma que 81% dos participantes da pesquisa foram alvo de pelo menos uma tentativa de golpe nos últimos 12 meses, e 39% chegaram a interagir com o golpista. Segundo o relatório, cerca de 16,5 milhões de brasileiros perderam dinheiro efetivamente no período.
Qual foi o prejuízo total estimado?
Segundo o relatório da GASA, divulgado no Brazil Anti-Scam Forum, o prejuízo total chegou a aproximadamente R$ 21,2 bilhões, com perda média de R$ 1.287 por vítima. Uma parcela relevante, 34% das vítimas, foi atingida mais de uma vez no mesmo período.
Quais são os golpes que mais atingem os brasileiros?
Segundo o relatório, os tipos mais comuns são golpes ligados a compras on-line, promessas de dinheiro inesperado (como prêmios ou heranças falsas) e ofertas falsas de emprego, cada um respondendo por uma fatia relevante dos casos relatados pelos participantes da pesquisa.
Esse número é maior ou menor que o do ano passado?
Não dá pra comparar de forma direta. A edição anterior (2025) usava outra metodologia de cálculo, com um número diferente de tentativas por pessoa; a própria GASA atualizou o método de validação e de cálculo de perdas para a edição de 2026. Por isso, este texto trata os dois anos como pesquisas distintas, não como uma linha do tempo comparável.
O relatório completo está disponível pro público?
A página com o resumo da pesquisa é pública e está no site oficial da GASA, mas o documento completo, com a metodologia detalhada e todos os recortes, é restrito a organizações associadas à entidade. Os números citados aqui vêm do resumo público e da divulgação feita no evento de lançamento.
Por que só 4% denunciaram o golpe, segundo o relatório?
O próprio resumo da GASA aponta essa baixa taxa de denúncia sem detalhar a causa exata, mas o padrão é comum a esse tipo de pesquisa: parte das vítimas não sabe onde denunciar, parte considera o valor perdido pequeno demais pra valer o esforço, e parte sente vergonha do ocorrido. É um dos pontos que a própria entidade cita como desafio pro combate ao golpe no país.
O que fazer pra não entrar nessa estatística?
Desconfiar por padrão de qualquer contato não solicitado que pede dinheiro, dado bancário ou clique urgente é o primeiro filtro. Confirmar sempre pelo canal oficial da empresa ou banco (nunca pelo número ou link que chegou na mensagem), ativar verificação em duas etapas nas contas importantes e conversar sobre golpes recentes com familiares mais vulneráveis reduzem bastante o risco de cair numa das fraudes mais comuns hoje.




