Uma mensagem no WhatsApp avisando sobre um processo urgente. Um e-mail com o logotipo de um tribunal e o nome de um juiz de verdade. Uma ligação de alguém se identificando como advogado ou policial, cobrando o pagamento imediato de uma “taxa” pra não perder um prazo. O golpe da intimação falsa se espalhou por pelo menos seis estados nas últimas semanas, com tribunais publicando alertas quase idênticos. Veja como o golpe funciona, por onde ele chega e como confirmar se uma intimação é de verdade.
Resposta rápida
O golpe da intimação falsa usa o nome de juízes, servidores, advogados ou policiais, por WhatsApp, e-mail, ligação ou vídeo, pra cobrar uma “taxa” urgente via Pix sob ameaça de prisão ou perda de prazo. Nenhum tribunal cobra nada por esses canais. Antes de pagar ou clicar em qualquer link, consulte o processo direto no site oficial do tribunal.
O essencial
- O golpe: se passa por juiz, servidor, advogado ou policial pra cobrar pagamento
- Onde mais aparece: WhatsApp, e-mail, ligação e até videochamada simulando audiência
- Sinal de alerta: urgência, ameaça de prisão/perda de prazo, pedido de Pix
- Regra de ouro: tribunal nenhum cobra taxa por mensagem ou ligação
Como funciona o golpe da intimação falsa
O golpista se identifica como juiz, servidor do tribunal, advogado ou policial e afirma que existe um processo, uma intimação ou um mandado em nome da vítima. Para dar credibilidade, ele usa “nomes, fotografias, logotipos e dados verdadeiros”, segundo o alerta do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT), às vezes até simulando uma audiência virtual pra parecer mais real ainda.
A partir daí, a conversa segue sempre pro mesmo lugar: um pedido de pagamento, geralmente via Pix, apresentado como “taxa”, “custa processual” ou “caução”. A pressão psicológica é a peça central do golpe, a vítima é convencida de que vai perder um prazo, um bem ou até ser presa se não pagar imediatamente.
Por onde o golpe chega
| Canal | Como o golpista usa |
|---|---|
| Mensagem de texto ou áudio se passando por servidor, advogado ou até simulando uma videochamada de audiência | |
| Logotipo do tribunal, número de processo real, anexo ou link pra “consultar” ou “regularizar” a situação | |
| Ligação telefônica | Voz se identificando como oficial de justiça, policial ou investigador, cobrando ação imediata |
| Videochamada | Simulação de audiência virtual, com uso de nomes e dados reais pra parecer legítima |
Sinais de alerta do golpe da intimação falsa
- Pressão de tempo: a mensagem exige decisão e pagamento imediatos, sob ameaça de perder prazo, bem ou liberdade.
- Pedido de Pix ou pagamento por link: tribunal nenhum recebe custa processual dessa forma.
- Contato pelo canal errado: processo de verdade tramita por sistema oficial (como o PJe) e intimação formal, não por WhatsApp pessoal ou ligação avulsa.
- Uso de dados reais misturados a pedido incomum: nome, foto e logotipo verdadeiros não provam que quem está do outro lado é quem diz ser.
Como confirmar antes de fazer qualquer coisa
A orientação oficial do TJDFT resume em três passos: “pare, consulte e confirme”.
- Pare: não responda, não pague e não clique em nenhum link ou anexo da mensagem recebida.
- Consulte o processo direto no site oficial do tribunal, digitando o endereço você mesmo (nunca pelo link enviado).
- Confirme com seu advogado ou com o tribunal por um telefone que você já tinha antes, nunca pelo número que veio na mensagem suspeita.
- Lembre-se: segundo o TJDFT, “o tribunal não cobra valores” para cadastro ou liberação de dinheiro em processo nenhum.
Já caí no golpe (ou já paguei). E agora?
Se você chegou a pagar por Pix, a velocidade importa: contate o banco assim que perceber e peça o acionamento do Mecanismo Especial de Devolução (MED), que existe justamente pra tentar bloquear valores de golpe antes que o criminoso saque. Guarde prints da conversa, do comprovante e de qualquer dado do golpista, e registre um boletim de ocorrência, o registro ajuda tanto no seu caso quanto no mapeamento do golpe pela polícia.
Se só recebeu a mensagem e não chegou a pagar nem clicar em nada, o risco já passou: pode apagar a conversa e, se quiser, denunciar o número ao WhatsApp. Veja o passo a passo mais amplo de golpes que usam essa plataforma em nosso guia de golpes no WhatsApp.
O que isso significa pra você
O golpe da intimação falsa é eficaz porque mistura um medo real (problema com a Justiça) com dados verdadeiros (nome, logotipo). A defesa não depende de reconhecer o golpista, e sim de nunca resolver pendência de processo pelo canal que chegou até você, sempre pelo site oficial ou por um contato que você já tinha antes.
🔗 Leia também
Perguntas frequentes
O golpe da intimação falsa é real?
Sim, e é recorrente. Só nas últimas semanas, tribunais de pelo menos seis estados (TJDFT, TJSC, TJPR, TJRS, TJGO e TJMA) e a Justiça do Trabalho no Rio Grande do Sul publicaram alertas próprios sobre o mesmo padrão de golpe usando o nome de juízes, servidores e processos reais.
Como funciona o golpe da intimação falsa pelo WhatsApp?
O golpista manda uma mensagem se passando por servidor, advogado ou até um juiz, avisando sobre um processo urgente ou uma intimação pendente. A conversa pressiona a vítima a pagar uma “taxa” ou “custa judicial” por Pix na hora, sob ameaça de perder um prazo, um bem ou até ser presa.
Existe golpe de intimação falsa por e-mail?
Sim. O e-mail chega com logotipo do tribunal, número de processo e nome de um magistrado, geralmente com um anexo ou link para “consultar o processo” ou “regularizar a situação”. O anexo pode instalar um programa malicioso, e o link costuma levar a uma página falsa que pede dados ou pagamento.
O golpe da intimação falsa também usa nome de policial?
Sim, é uma variação do mesmo golpe: em vez de juiz ou advogado, o criminoso se identifica como policial ou investigador, alegando um mandado ou uma investigação em nome da vítima. O mecanismo de pressão e cobrança é o mesmo.
O tribunal cobra alguma taxa por WhatsApp, telefone ou e-mail?
Não. Nenhum tribunal brasileiro cobra taxa, custa ou “liberação de valor” por WhatsApp, ligação, e-mail ou vídeo. Toda cobrança oficial de processo segue trâmite formal, nunca por mensagem urgente pedindo Pix.
Caí no golpe da intimação falsa e paguei. O que eu faço?
Reúna prints da conversa e o comprovante de pagamento e registre um boletim de ocorrência o quanto antes. Se pagou por Pix, contate o banco imediatamente para tentar o Mecanismo Especial de Devolução (MED); quanto mais rápido, maior a chance de bloquear o valor antes que o golpista saque.
Como confirmar se uma intimação é verdadeira?
Nunca use o link, telefone ou QR Code que veio na própria mensagem suspeita. Acesse direto o site oficial do tribunal (digitando o endereço você mesmo) e consulte o número do processo, ou ligue para um número de telefone que você já tinha antes, não o que veio na mensagem.




