Uma pesquisa de segurança divulgada em setembro de 2026 revelou que os assistentes de inteligência artificial embutidos em cinco navegadores populares podiam ser sequestrados por uma extensão maliciosa, sem que a vítima clicasse em nada. A falha, batizada de BragJack pela consultoria que a encontrou, já foi corrigida pelo Google e pela Microsoft, mas o caso expõe um risco que tende a aparecer de novo à medida que mais navegadores incorporam IA com acesso à câmera, ao microfone e aos arquivos do computador.
Resposta rápida
Pesquisadores encontraram uma falha, batizada de BragJack, que permitia a uma extensão maliciosa assumir o controle da IA integrada ao Chrome, Edge, Opera Neon, Perplexity Comet e Claude no Chrome, sem exigir clique da vítima. O Google já corrigiu o problema no Chrome (CVE-2026-0628) e pagou recompensa ao pesquisador; a Microsoft também lançou correções para o Edge.
O essencial
- A falha: BragJack, achada por pesquisador de segurança e divulgada pela consultoria Forever Security
- Afetados: Chrome (Gemini), Edge, Opera Neon, Perplexity Comet e Claude no Chrome
- Já corrigido: Google confirmou e corrigiu no Chrome; Microsoft também atualizou o Edge
- O que fazer: manter o navegador atualizado e revisar as extensões instaladas
O que é a falha BragJack
BragJack é o nome que a consultoria de segurança Forever Security deu a uma série de vulnerabilidades encontradas nos assistentes de inteligência artificial que hoje vêm embutidos em navegadores. O responsável pela descoberta é o pesquisador Gal Weizman, que já havia identificado um problema parecido no Chrome no início de 2026 (batizado então de GlicJack) e resolveu testar se a mesma ideia funcionava em outros navegadores com IA integrada. Funcionou em cinco.
É importante separar dois momentos: a falha foi descoberta e corrigida antes de virar notícia. O pesquisador seguiu o processo conhecido como divulgação responsável, avisou cada empresa em particular, esperou a correção ser lançada e só então publicou os detalhes técnicos, em 16 de setembro de 2026. Não há indício de que criminosos tenham explorado o problema antes disso.
Como a falha funcionava
Os assistentes de IA embutidos no navegador funcionam com uma divisão de tarefas. De um lado está o “cérebro”: a inteligência artificial em si (o Gemini, no caso do Chrome), que roda nos servidores da empresa e decide o que fazer. Do outro está o “corpo”: a parte que roda dentro do navegador e tem permissão para executar as ações práticas, como tirar uma captura de tela, ligar a câmera e o microfone ou ler arquivos e páginas abertas.
Os navegadores já bloqueiam extensões de injetar código diretamente na página do assistente, essa regra básica de segurança continuava valendo. O que Weizman descobriu foi um caminho alternativo: extensões comuns, do tipo que bloqueia anúncios ou busca cupom de desconto, têm por padrão a permissão de alterar o tráfego de rede do navegador. Usando esse recurso, era possível trocar o endereço de um arquivo que o assistente carregava por um script controlado pelo próprio atacante, sem precisar de nenhum clique da vítima. A partir daí, o invasor passava a comandar diretamente o “corpo”: a parte com acesso à câmera, ao microfone e aos arquivos.
Quais navegadores foram afetados
A pesquisa testou cinco navegadores baseados na tecnologia Chromium, cada um com um nível diferente de exposição:
| Navegador | Assistente de IA | O que a falha permitia |
|---|---|---|
| Google Chrome | Gemini (painel lateral) | Ler arquivos, ligar câmera e microfone, capturar tela |
| Microsoft Edge | Copilot | Assumir o controle do agente de IA |
| Opera Neon | Assistente próprio (Neon) | Assumir o controle do agente e executar ações em nome do usuário |
| Perplexity Comet | Assistente Comet | Ler qualquer arquivo do computador, acessar histórico, capturar tela |
| Claude no Chrome (extensão) | Claude, da Anthropic | Assumir o controle do agente de IA |
Nos navegadores com assistentes mais autônomos, caso do Opera Neon e do Perplexity Comet, que já navegam e interagem com serviços em nome do usuário, o risco demonstrado foi maior: em testes controlados, os pesquisadores conseguiram fazer o assistente abrir o e-mail da vítima, resumir mensagens financeiras e enviá-las para outro destinatário, tudo sem qualquer clique.
A correção do Google no Chrome
O próprio blog oficial de lançamentos do Chrome confirma o caso: a atualização de canal estável do navegador registrou a correção como CVE-2026-0628, classificada como severidade “Alta” e descrita como “aplicação insuficiente de política na tag WebView”, com crédito nominal ao pesquisador Gal Weizman. É a mesma prática que o Google adota para toda falha de segurança relevante: publicar o registro técnico e pagar uma recompensa a quem reportou, confira o anúncio oficial da atualização do Chrome que lista a correção.
A Microsoft seguiu caminho parecido no Edge, que também usa a base do Chromium: a própria página oficial de notas de segurança do Edge mostra que a empresa lança atualizações incorporando correções do projeto Chromium com frequência quase diária em setembro de 2026, o canal por onde esse tipo de falha chega ao usuário final é justamente a atualização automática do navegador.
O que fazer agora
- Confirme que o navegador está atualizado. No Chrome, acesse
chrome://settings/help; no Edge,edge://settings/help. Os dois buscam a atualização mais recente automaticamente ao abrir essa tela. - Revise as extensões instaladas. Remova as que você não usa mais, quanto menos extensões, menor a superfície de ataque.
- Desconfie de permissões amplas. Extensões que pedem para “ler e alterar todos os dados nos sites que você visita” merecem atenção redobrada, especialmente bloqueadores de anúncio e buscadores de cupom de fontes pouco conhecidas.
- Instale extensões só de fontes oficiais (Chrome Web Store, Microsoft Edge Add-ons), que passam por uma revisão mínima antes de ficarem disponíveis.
O que isso significa para você
O detalhe mais importante do caso BragJack é que ele mostra o modelo funcionando: um pesquisador achou o problema, avisou as empresas em particular e só publicou depois da correção, por isso não houve exploração conhecida por criminosos. Mas o caso também é um alerta estrutural: quanto mais os navegadores integram IA com acesso a câmera, microfone e arquivos, mais vale a pena manter o hábito de atualizar o navegador assim que uma atualização aparece e de fazer uma limpeza periódica nas extensões instaladas, em vez de deixá-las acumular.
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Perguntas frequentes
O que é o BragJack?
É o nome dado pela consultoria de segurança Forever Security a uma técnica que permite a uma extensão de navegador assumir o controle do assistente de inteligência artificial embutido no próprio navegador, sem exigir nenhum clique da vítima. A pesquisa foi divulgada em 16 de setembro de 2026 e afetou cinco navegadores diferentes.
O Chrome ainda é seguro para usar?
Sim. O Google confirmou a falha (identificada como CVE-2026-0628) e já lançou a correção, creditando o pesquisador que a reportou. Quem mantém o Chrome atualizado automaticamente, o padrão do navegador, já está protegido desde o início de 2026.
Preciso desinstalar o Gemini ou a IA do navegador?
Não. O problema não estava na inteligência artificial em si, e sim numa brecha na forma como o navegador isolava a comunicação entre o assistente e as extensões instaladas. Removendo a falha, o recurso volta a funcionar como deveria, sem necessidade de desativar o assistente.
Como saber se meu Chrome já está protegido?
Abra chrome://settings/help (ou, no Edge, edge://settings/help): o navegador verifica a versão instalada e baixa a atualização mais recente automaticamente. Se a verificação não indicar uma atualização pendente, você já está na versão corrigida.
Fui hackeado por causa dessa falha?
Não há registro de que o problema tenha sido explorado por criminosos antes da correção. A falha foi encontrada por um pesquisador de segurança que seguiu o processo de divulgação responsável: reportou diretamente ao Google e à Microsoft, recebeu recompensa por isso e só publicou os detalhes técnicos depois que as empresas corrigiram o problema.
As extensões do Chrome são perigosas?
A grande maioria não representa risco algum. O ponto de atenção são extensões que pedem permissão para “ler e alterar todos os dados nos sites que você visita” ou para modificar o tráfego de rede, recurso comum em bloqueadores de anúncio e buscadores de cupom. Revisar periodicamente as extensões instaladas e remover as que você não usa mais reduz a exposição a esse tipo de falha.



